Palavras em familia - prof. Lauro Dick

Blog direcionado a questoes de assuntos biblicos, literários, linguisticos e outros(ética,astrologia,numerologia) abordados de forma didática.

5 de April de 2007

Terceiro domingo da Quaresma

Palavras em família... bíblico-litúrgicas

Em nome do Pai e da Mãe e dos Filhos e dos Irmãos

Terceiro domingo da Quaresma

Pré-texto
Todas as semanas, me empenho, a meu limitado modo, em achar pontos comuns – doutrinários, teológicos, pastorais – nas leituras dominicais que leigamente comento.
No terceiro domingo da Quaresma, isso não vai ser, de novo, nada fácil, tendo em vista as leituras exploratórias que até agora fiz. Espero que, pondo-me a meditar com a caneta na mão, alguma luz desponte.
Nos sermões das missas dominicais, isso, via de regra, não se faz. O pregador, em geral, pega algum tópico do evangelho, ou da epístola (em geral, de Paulo), ou da leitura do Antigo Testamento e o aplica à vida cristã, sem contextuá-lo, sem explicá-lo, sem aprofundá-lo. Tá. O tempo é curto. O mesmo procedimento seguem os missionários ou pastores das igrejas ditas carismáticas, horas e horas presentes em vários canais de televisão, todos os dias. Esses têm, além disso, outras particularidades. Pegam uns versículos daqui ou dali, vá o cristão adivinhar por quê, e os levam indefectivelmente ao pecado, ao inferno, à enfermidade, aos interesses da Igreja, à prosperidade material, ao xô-satanás, às curas milagrosas. Eu te ordeno, espírito das trevas, sai deste corpo e não voltes nunca mais. Tive uma dor de cabeça e sumiu, uma perna entrevada, e eis-me andando (e dá uns passos na direção do loquaz orador), uma dor de cabeça e passou. Bem. Lê-se por aí, e concordo com isso, que todo ser humano tem maiores ou menores poderes de cura.
E eu, aqui, procurando concertar (melhor com cê do que com esse) o inconcertável, sem fatos miraculosos confirmando minhas silenciosas palavras.
Amarrar o Êxodo, 3, ao salmo 102, a 1Coríntios, 10, a Lucas, 13, atrás não sei de que harmoniosas relações.
Porém tento e teimo.
Contexto
O Êxodo, não custa relembrar, é o segundo livro do Pentateuco, constituindo-se na continuação do Gênesis. Sobre quando foi redigido, encontro duas datas bem diferentes: 450aC (Bíblia da CNBB) e1400 aC (Dicionário ilustrado da Bíblia, de Youngblood). Deve haver um motivo para essa datação tão distanciada no tempo, mas não me interessa investigá-lo agora. Seu nome significa saída e conta a migração de Israel pelo deserto depois da escravidão no Egito, isso por volta de 1250 aC. No decurso dessa travessia, Deus faz uma aliança com seu povo, acampado junto ao monte Sinai: “Vós sereis para mim / um reino de sacerdotes / e uma nação santa” (19: 6). “Não me coloqueis entre os deuses de prata ou de ouro, deuses que não devereis fabricar para vós” (20: 23). Moisés “ergueu ao pé da montanha um altar e doze colunas sagradas, segundo as doze tribos de Israel. Em seguida, mandou alguns jovens israelitas oferecer holocaustos e imolar novilhas, como sacrifícios de comunhão ao Senhor. Moisés pegou a metade do sangue, colocou-o em vasilhas e derramou a outra metade sobre o altar. Tomou depois o livro da aliança e leu em voz alta ao povo, que respondeu: ‘Faremos tudo o que o Senhor falou [nos dez mandamentos] e obedeceremos” (24: 4 a 7). Na verdade, uma cena estranha aos padrões modernos da civilização, porém miticamente compreensível em tão remota era, quando gregos e latinos seguiam práticas semelhantes.
Quanto a sua divisão, o livro pode ser dividido em três partes: Israel no Egito (1 a 14), Israel no deserto (15 a 27), Israel no Sinai 28 a 40). A leitura deste terceiro domingo da Quaresma pertence à primeira parte (3: 1 a 8 e 13 e 15).
O salmo 102 é penitencial: “É ele que perdoa todas as tuas culpas” (102: 3). “Não me coloqueis entre os deuses de pedra ou de ouro, deuses que não devereis fabricar para vós” (Êxodo, 20: 23), contrariamente ao que os israelitas faziam. (Sempre me intrigaram as atividades mecânicas deste povo em pleo deserto, não sei em que forjas e fornos e com que material. Ponto, e deixemos essas colocações aos céticos e aos agnósticos.) Paulo, no mesmo estilo, ante os desvios da Igreja de Corinto – divisões e abusos, como prostituição (5: 1), recurso a juízes pagãos, em vez de aos santos (6: 1), tolerância com libertinos, idólatras, adúlteros efeminados, sodomitas ladrões, gananciosos, beberrões, maldizentes, estelionatários (6: 9 a 11). (Mais uma vez: por que não teria o apóstolo incluído as adúlteras e as lésbicas, sejamos chatos.) – verbera, isto é, Paulo verbera, na segunda parte da carta, os excessos da comunidade, assim como o fazia Moisés com os israelitas no deserto.
Lucas ameaça, na segunda parte do seu evangelho – em Jesus visita o seu povo – os galileus de que, se não se converterem, perecerão (13: 5), e ilustra o fato com a figueira que há três anos não produzia frutos e mereceria ser cortada.
(continua)
criado por laurodick    18:54 — Filed under: Sem categoria

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